quarta-feira, 3 de abril de 2013

Palacete Matos Graça




O Palácio da Senhora-a-Branca, situado no Largo da Senhora-a-Branca, é conhecido por Palácio Matos Graça. Foi mandado construir, no início da década de 1880, por Manuel da Rocha Vellozo, um homem que fez fortuna no Brasil.

Manuel da Rocha Veloso teve uma filha chamada Mariana, que casou em 20 de Outubro de 1902, com José Luís Matos Graça, que deu origem à denominação que hoje se atribui ao edifício.
O interior era marcado por uma magnífica escadaria que terminava num corredor onde se distribuíam as principais divisões da casa. Possuía uma abóbada com estuques decorados suportada por colunas caneladas e capitéis coríntios lavrados em madeira.

Existiam, ainda, pinturas murais com motivos flamengos, bem como datas e monumentos evocativos da História de Portugal. As pinturas parietais estão assinadas por Vicente José da Silva e datadas de 1884.

Este edifício esteve ameaçado de destruição em 2000, o qual só acabaram só por destruir o seu interior. O edifício foi aproveitado para construção de um prédio mais moderno e o andar inferior para comércio. Da estrutura original do Palácio apenas se manteve a fachada.

As casas dos "Brasileiros", como a casa que agora ficou totalmente descaracterizada, melhor dizendo, desapareceu subjugada pela especulação imobiliária urbana, representava a afirmação pessoal do proprietário "brasileiro". Daí as suas dimensões, a multiplicidade de materiais e cores utilizadas, a imponência do jardim "tropical" e apresentando sempre uma solução arquitectónica vertical de amplas fachadas e ás vezes com um piso suplementar. 

Em segundo lugar ela representava a nova situação do proprietário, junto da comunidade de origem - bem patente na estatuária que remata a casa, nos monogramas desenhados nos fechos dos portões, nos tectos dos átrios de entrada ou nos azulejos centrais da fachada.

Do ponto de vista arquitectónico, o Palacete Rocha Vellozo identifica-se com um dos tipos de casa de "brasileiro" existente em Portugal, casas estas que são verdadeiros palácios, afirmando-se como espaços de prestígio, pelas dimensões e concepção arquitectónica:

- Casa de rés-do-chão e andar, de linhas horizontais, com telhados de quatro águas, com paredes grossas de pedra e esquinas, soleiras e ombreiras de cantaria. As fachadas são amplas, compostas de rés-do-chão e andar nobre, com numerosas portas e janelas, apresentando um mezanino ou piso suplementar. 
- Os átrios interiores de pedra lavrada, de onde parte a escada de acesso ao andar que se desdobra em dois lanços, iluminada por clarabóia. O presente caso, enquadra-se nesta tipologia, constituindo um dos exemplares mais imponentes da cidade de Braga.

O Palacete possuía capela própria (foi autorizada a sua construção pelo facto do "brasileiro" ser comendador da Ordem de Cristo e ter beneficiado de um breve apostólico) e estava exuberantemente decorado no seu interior com a magnificência típica das casas de brasileiros abastados.

No século XX, foi habitado pela ordem religiosa das Adoradoras e, muito mais tarde, passou a integrar o património do Ministério das Corporações acolhendo, primeiro, os Serviços Médico-Sociais da Previdência e, depois, um dos Centros de Saúde da cidade de Braga. 

Chegou a ser divulgada na comunicação social a existência de uma proposta para ser transformado em edifício público (Tribunal da Relação), hipótese que se gorou e acabou por ser alienado e adquirido por investidor imobiliário que promoveu no espaço do edifício e jardins contíguos, um projecto imobiliário que as imagens documentam e que falam por si.






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